por Robert
Schneier, Jerry Miccolis
Essa estratégia não-convencional
envolve a avaliação e a conformação do risco em todo o
negócio
Os altos executivos vêm
andando cada vez mais na corda bamba.
Os investidores pagam um prêmio para a empresa
que melhor souber lidar com o risco, mas correr esse risco
pode fazê-la cair de joelhos, porque ele só faz crescer
com o mercado globalizado, que trouxe mais complexidade
e aumentou as chances de as coisas darem errado.
Como equilibrar-se? A
maioria das empresas recorre ao financiamento do risco
-fazendo provisões contra possíveis perdas, seguros contra
desastres, hedging de moedas etc. Mas esse tipo de estratégia
tem três grandes defeitos: é passiva (pois trata de consequências
e não de causas), coloca o foco sobre alguns riscos específicos
(e não sobre todos os riscos potenciais) e não causa impacto
no mercado. Os autores deste artigo afirmam, com base
na experiência de quatro empresas mantidas no anonimato,
que é preciso adotar uma estratégia diferente para cuidar
do risco com eficácia: gerenciá-lo de forma holística.
Para isso, eles propõem aqui uma abordagem chamada de
Enterprise Risk Management (ERM), ou Gerenciamento do
Risco do Empreendimento, que leva em conta os fatores
de risco e os programas de atenuação em relação ao negócio
como um todo, interna e externamente. Eles explicam passo
a passo como adotar essa estratégia, descrevendo suas
duas fases: a de avaliação e a de conformação do risco.
Vale a pena ler com atenção, pois, afinal, sem risco não
há recompensa. |
Quase todos os dias
os jornais descrevem as sérias conseqüências de frustrar as expectativas
dos investidores, como uma empresa, que viu suas ações caírem
mesmo tendo um grande aumento de lucros. Somem a isso as exigências
de regulamentação e controle e fica evidente por que o risco é
tão importante para os altos executivos das empresas. Afinal,
é a eles que cabe gerenciar os riscos do negócio, e o não-cumprimento
desse preceito é uma quebra da responsabilidade confiada.
Mesmo que os lucros e os preços, das ações sejam saudáveis,
a obtenção de resultados atualmente é bem mais arriscada que no
passado. O motivo é que a maioria dos negócios se globalizou.
Esse âmbito expandido traz maiores oportunidades, mas também maior
complexidade. O aumento da complexidade por sua vez, traz um potencial
maior de as coisas darem errado.
| A gestão do risco e as ações |
|
A maioria das decisões
envolve uma escolha entre algum tipo de risco e a recompensa a
ele associada. Cria-se valor para o acionista quando a recompensa
excede o custo do risco. O custo do capital é uma taxa genérica
que reflete o risco de determinada classe de investimento. Se
a recompensa (ROI- Retorno sobre o Investimento) for maior do
que essa taxa, o investimento vale proporcionalmente mais.
Embora os investidores sejam indiferentes às ferramentas
ou aos modelos que as empresas utilizam, eles pagarão um prêmio
para a companhia que melhor souber lidar com o risco. Tal prêmio
depende do desempenho, porém entre 20% e 30% do prêmio acima do
valor contábil é atribuível a quão bem a companhia gerência o
risco.
Algumas companhias parecem compreender
melhor o risco do que outras. Na verdade, elas não tomam atitudes
mais ousadas; apenas sabem o que podem ou não suportar. Tais empresas
não são invencíveis e sofrem nas mãos do mercado de ações quando
não atendem às expectativas dos investidores. Elas, no entanto,
fracassam com menor frequência.
| Tipos de riscos e gerenciamento |
|
|
"Risco" é a possibilidade
de alguma coisa dar errado. "Fatores de risco" são as condições
que dão origem a essa possibilidade. O risco é um resultado não
algo que se possa gerenciar ou controlar diretamente. Os fatores
de risco, como causas, sim. Ao gerenciar o risco, a maioria das
empresas presta atenção ao resultado e não à causa. E erra.
A abordagem-padrão é concentrar-se
no financiamento do risco, provisionando recursos para atenuar
a variabilidade de receita de riscos não controlados. A idéia
básica é que algum risco financeiro tem possibilidade razoável
de ocorrer. Como não se pode fazer nada para impedi-lo, os executivos
deveriam separar uma quantia para pagar os danos.
Há problemas nessa abordagem. Primeiro,
ela não é "pró-ativa", como se diz no jargão administrativo. Segundo,
é incompleta e tende a compartimentar a atenção da gerência: com
freqüência, o conjunto de riscos para os quais existe financiamento
(hedging de moeda, seguro contra desastres) determina os
tipos aos quais a empresa presta atenção e tenta gerenciar. Entretanto,
a empresa enfrenta riscos que vão além de, digamos, terremotos
ou mudanças no preço do petróleo. Há companhias cujos preços de
ações despencam em decorrência de prática de discriminação racial
ou sexual, sistemas de computação falhos ou conduta irregular
de funcionários.
Acrescente-se a esses dois problemas um terceiro. A abordagem
de financiamento para o gerenciamento de risco não é muito eficaz.
Pesquisas mostram, por exemplo, que o mercado de ações é indiferente
ao financiamento de risco - isto é, se acontecer um desastre,
as reações do mercado se basearão na maneira como a gerência lida
com a crise, e não como ou até onde o risco está financiado. Gasta-se
muito dinheiro em seguros que não ajudam a proteger os investimentos
dos acionistas.
Diante disso, um
novo conceito chega ao universo dos executivos financeiros: o
gerenciamento holístico do risco. Coisas da Nova Era? Não. As
técnicas do gerenciamento holístico do risco têm sido uma ferramenta
gerencial poderosa para várias empresas, quando aplicadas corretamente.
Nós as chamamos de "Enterprise Risk Management"
(ou ERM, que significa Gerenciamento do Risco do Empreendimento),
porque abordam os principais riscos da companhia em um determinado
nível do empreendimento. A prática do ERM varia, pois cada empresa
é singular do ponto de vista de riscos, mas há algumas características
comuns.
O ERM é uma abordagem sistemática
segundo a qual os fatores de risco e os programas de atenuação
são considerados em relação ao negócio como um todo, interna e
externamente. Admite, assim, que os acionistas são indiferentes
à compartimentação arbitrária do risco. Admite também que os fatores
de risco possuem efeitos múltiplos e, para terem algum valor,
os programas de atenuação devem considerar todos esses efeitos.
O ERM é "pró-ativo". A primeira linha
de defesa contra o risco é "conformá-lo", que significa controlá-lo
por meio do comportamento organizacional. Os controles comportamentais
são balanceados com os controles sistemáticos - políticas, procedimentos
e similares. Os gerentes precisam recorrer ao financiamento apenas
se essa "conformação" não puder conter o risco. Mesmo nesse caso,
o financiamento deve ser feito na forma de uma carteira abrangente
- não compartimentada- para aproveitar as "proteções naturais"
que existem entre alguns fatores de risco e a interdependência
de muitos deles.
Quando corretamente implantado, o ERM exige trabalho árduo
e comprometimento da alta gerência. Entretanto, para companhias
que praticam o ERM com eficácia, as recompensas podem ser liderança
de mercado, crescimento contínuo, elevação nos preços das ações
e confiança dos investidores.
| A experiência de duas empresas |
|
Tome-se o exemplo
da Ajax (nome fictício, por motivo de sigilo), empresa de artigos
de luxo considerada como das mais bem-sucedidas no mundo. Seus
lucros, seu crescimento e sua participação de mercado são invejáveis.
Suas ações são negociadas nos valores mais altos entre suas similares.
A Ajax possui um programa de ERM eficaz em funcionamento, sob
a direção de um comitê diretor formado pela alta gerência.
O comitê realiza uma revisão abrangente de risco de cada
um de seus negócios, concentrando-se na estrutura total, nas capacidades
da organização e no ambiente operacional. A partir dessa revisão,
identifica os riscos dos objetivos dos negócios, determina os
fatores subjacentes, prioriza-os e empreende as iniciativas necessárias.
Para ajudar na atribuição de prioridades, o comitê define
o limiar quantitativo de risco da companhia como um todo e de
cada unidade de negócios. O quadro da abaixo apresenta uma lista
dos fatores de risco de alta prioridade da Ajax (e não são exclusivos).
Uma maneira de verificar se o ERM está sendo implantado
com eficácia é determinar se os fatores de risco da empresa se
parecem com os de suas concorrentes. Em caso positivo - ou se
eles não mudarem à medida que a organização e seu ambiente operacional
mudarem-, é provável que esses riscos estejam definidos de forma
muito genérica.
Feito isso, o comitê ajuda cada negócio a desenvolver um
plano de ação. O tipo de iniciativa requerido depende da natureza
do risco e é direcionado pela matriz mostrada no final do artigo.
Os riscos gerenciáveis são os que não exigem investimento significativo
e podem ser abordados na condução normal dos negócios. Os riscos
estratégicos, por outro lado, talvez exijam um investimento razoável
de capital ou mudança de rumo.
Os fatores de risco que ficarem abaixo do limiar de "alta
prioridade" são monitorados, mas não se toma nenhuma iniciativa
a menos que sua situação mude. A companhia tem uma cultura robusta
em relação a riscos, que geralmente corrigirá a maioria desses
problemas sem necessidade de a administração agir.
Esse princípio é demonstrado pela
empresa de produtos de consumo Acme (outro nome fictício). Logo
depois de constatar um defeito de fabricação, a Acme conseguiu
recolher e substituir todos os produtos defeituosos das prateleiras
do mundo inteiro sem que os consumidores, os distribuidores e
a imprensa notassem.
Como isso foi feito de forma tão eficaz? Os executivos
da Acme garantem que agiram instintivamente. A companhia não tem
manual, listas de controle ou memorandos da alta gerência que
ditem os procedimentos. Não há necessidade disso, porque a companhia
tem uma cultura robusta em relação a riscos, que advém da forte
convergência da companhia em relação à meta.
Todos, por intuição, entendem os
objetivos da companhia e trabalham em direção a eles. O histórico
de desastres, grandes e pequenos, mostra que os problemas ocorrem
quando o controle cultural não funciona, e não quando os controles
de sistema não funcionam.
É preciso, contudo, haver equilíbrio
entre cultura forte e sistemas de controle. Se os controles forem
fracos demais, o gerenciamento cultural do risco pode ser levado
até o ponto de ruptura. Por analogia, sem a convergência de uma
cultura forte em relação à meta, os sistemas de controle são simplesmente
tirânicos e ineficazes. Se a gerência criar cada vez mais controles,
a companhia pode ficar à deriva em termos de estratégia.
Uma maneira de verificar se o ERM está sendo implantado
com eficácia é determinar se os fatores de risco da empresa
se parecem com os de suas concorrentes, Em caso positivo,
é provável que esses riscos estejam definidos de forma
muito genérica |
| Fatores de risco de alta prioridade na AJAX |
| Fatores "gerenciáveis" e "típicos do negócio": |
· Um único defeito de produto poderia destruir uma
marca inteira.
· Forçar demais a P&D para qualidade e competitividade
esgota os recursos de P&D.
· Publicidade adversa pode afetar múltiplas marcas.
· Práticas de
sistemas inconsistentes aumentam a possibilidade de erro;
sistemas diferentes não se comunicam com eficácia.
· Despreparo para desastres no sistema.
· Perda de pessoal
importante; a organização pode não ser flexível.
· A gerência
de segundo escalão pode não estar pronta para assumir a
responsabilidade da alta gerência. |
| Fatores "estratégicos" e "de "adaptação": |
. Talvez seja difícil continuar a obter altas somas
nos lançamentos de novos produtos.
. Infra-estrutura continuamente exigida; será difícil
manter a cultura e os valores com as mudanças.
. O planejamento, o processamento e
a comunicação informais permitem surpresas.
· Como companhia aberta temos de atender
às expectativas dos outros em vez de fazer o que é certo.
· Os concorrentes
têm mais flexibilidade porque o negócio deles é mais amplo.
· A separação
das divisões nacional e internacional pode causar ineficiência
e imagem fraca.
· A gerência das companhias adquiridas está abaixo
dos padrões. |
| Quantificação dos riscos e limiares |
|
A quantificação dos
fatores e dos limiares de risco é uma parte desencorajadora porém
necessária do ERM. Há vários modelos e metodologias, alguns mais
acessíveis, outros mais complexos. Com um pouco de criatividade,
os gerentes conseguem quantificar os fatores de risco de forma
rápida e fácil.
A abordagem feita por uma reputada
siderúrgica (a fictícia AAA) é ilustrativa. Ao dedicar atenção
especial aos relatórios-padrão de contabilidade gerencial, a AAA
conseguiu construir uma simulação econômica da operação de sua
siderúrgica. Para a quantificação, o grupo da alta administração
da AAA identificou os fatores de risco incorporando pesquisa de
mercado, previsões econométricas e tino comercial. O departamento
de RH também forneceu insumos quanto a fatores de risco relacionados
à organização e ao pessoal, e os gerentes determinaram as interações
entre os fatores utilizando medidas qualitativas O resultado da
simulação foi colocado num modelo financeiro pró-forma que gerou,
entre outros resultados, as mudanças esperadas de valor para o
acionista em cada cenário de risco.
Para monitorar as mudanças em relação
a exposição ao risco, o grupo gerencial periodicamente revisa
os fatores de risco e executa novas simulações. Esse processo
é um pouco desajeitado, mas funciona. A AAA superou quedas de
mercado e evitou alguns problemas trabalhistas potencialmente
graves.
Como no caso da Ajax e da Acme, o
programa de ERM da AAA ajuda companhia a administrar os riscos
de forma sistemática e cultural. A situação ajuda a companhia
a implantar controles que minimizem a exposição ao risco. O compromisso
da alta gerência com o ERM aumenta a conscientização dos funcionários
sobre os fatores de risco - o que por si só, já é uma medida preventiva.
Isso também ajuda a incorporar comportamentos de gerenciamento
de riscos à organização. Em algumas companhias, o ERM não é tanto
um esforço consciente, mas sim uma parte já arraigada da cultura.
A Acme conseguiu substituir todos os produtos
defeituosos das prateleiras do mundo inteiro sem que os
consumidores e a imprensa notassem, graças à sua cultura
de gerenciar riscos. |
| O papel do financiamento do risco |
|
Mesmo nas companhias
mais bem administradas, nem todos os riscos podem ser descartados
ou contidos por completo. Os riscos que sobrarem precisam ser
financiados. Há novos produtos no mercado, híbridos de seguro
e hedging, que permitem às empresas comprar proteção da
demonstração de resultados contra combinações específicas de riscos
de acidentes (como danos à propriedade e responsabilidade civil)
e riscos financeiros (como taxa de juros, crédito, câmbio) em
um único pacote.
A empresa varejista ABC - nome também
fictício - deu vários passos adiante. Ela criou um modelo probabilístico
para cada risco de alta prioridade. Alguns desses modelos foram
adaptados de outros, criados por fornecedores - por exemplo, um
modelo de terremoto gerado pela corretora de seguros da ABC e
um modelo de risco de mercado gerado pelo banco da empresa. Com
esses modelos, a companhia analisou a relação entre os riscos
(a covariância, uma medida estatística) e embutiu essas informações
num modelo estocástico global de seu perfil de ERM.
Com isso, a ABC conseguiu avaliar vários programas alternativos
de financiamento do ponto de vista de sua capacidade de contrabalançar
riscos e recompensas. Foi atribuído a cada programa um "valor
de recompensa" e um "valor de risco" - o primeiro, baseado no
custo, e o segundo, baseado na capacidade de amortecer o impacto
volátil dos riscos combinados sobre o demonstrativo de lucros.
Utilizando técnicas da teoria moderna de portfólio, a empresa
pôde desenhar a "fronteira eficiente".
Esse demonstrativo permitiu à alta gerência tomar decisões
abalizadas quanto ao tipo de programa de financiamento de riscos
para ser considerado. O departamento financeiro então abordou
diretamente os mercados de resseguros e de capitais para implantar
seu programa preferido segundo seus próprios termos.
| ERM, um overview de etapas |
|
A adoção de práticas
de ERM exige comprometimento e um nível razoável de esforço em
duas fases principais:
Fase I:
Avaliação do risco.
O objetivo da avaliação é identificar, priorizar
e agregar todos os riscos com que a companhia depara.
1
Revisão
da infra-estrutura. A
empresa começa por uma revisão sistemática da infra-estrura, dos
processos decisórios e dos sistemas. Identifica as preocupações
da gerência por entrevistas ou focus groups e verifica-as
a partir de dados xternos. Procura um acordo quanto a um meio
objetivo de medir o desempenho.
2 Avaliação
qualitativa do limiar do risco. (O
risco, não se pode esquecer, é tanto subjetivo quanto objetivo.)
3 Definição
preliminar do risco.
A empresa reduz e sintetiza os dados de desempenho e do limiar
do risco em um conjunto preliminar de riscos, que deve ser validado
e classificado.
4 Quantificação
preliminar.
Em geral, é aconselhável que a empresa use um modelo do tipo "criação
de valor para o acionista" para testar as sensibilidades e identificar
fatores de risco. Então, a empresa deve checar os resultados,
cruzando-os com um ou vários métodos subjetivos de avaliação.
Se tiverem sido identificados fatores de risco prospectivos, ela
precisa determinar o meio mais apropriado de aferição.
5 Priorização
do risco. Aqui
se priorizam fatores de risco com base na probabilidade de acontecerem,
no valor presente de suas conseqüências e na qualidade dos controles
já em funcionamento. A empresa identifica as interações entre
os fatores de risco de alta prioridade e suas conseqüências e
agrega esses fatores com base em conseqüências comuns. Entre as
áreas nas quais vale a pena se concentrar estão comportamento
e atitudes da organização, capitais empregados no negócio (de
mercado, infra-estrutura, humano, financeiro) e principais indicadores
de desempenho da companhia.
6
Delineamento
de estratégia.
A essa altura já deve haver uma lista abrangente dos fatores de
risco de alta prioridade e compreensão de suas conseqüências.
Se houver acordo quanto às prioridades, a empresa delineia as
estratégias gerais para atenuação.
As companhias ficam
espantadas com a lista de fatores de risco de alta prioridade
gerada na fase de avaliação. Esses fatores muitas vezes diferem
daqueles nos quais os gerentes tradicionalmente concentram sua
atenção.
Fase 2:
Conformação do risco. Antes
de os gerentes estarem prontos para delinear os programas de conformação,
eles precisam de uma medida mais sólida dos fatores de risco.
Precisam também de uma boa compreensão de como funciona a organização
e como mudar os comportamentos.
1
Modelagem.
São necessários três tipos de modelagem
para medir o impacto individual e coletivo dos fatores de risco.
É preciso modelar os determinantes de cada fator de risco, o impacto
operacional e financeiro de cada um e, por fim, o preço da ação
e o value at risk. A parte mais difícil é medir a covariância
entre os fatores de risco, mas pode-se fazê-lo separadamente ou
estimá-lo subjetivamente.
A empresa prevê fatores de risco
usando modelos estocásticos, análise de cenários ou Delphi. Em
alguns casos, é possível comprar previsões ou usar avaliações
qualitativas. Os modelos operacionais devem ser baseados em um
acúmulo de cristas ao longo da cadeia de valor da companhia. Deve-se
estar certo de que as mudanças nos requisitos de recursos sejam
identificadas. Os modelos pró-forma precisam estar vinculados
a algum modelo de valor econômico, permitindo testar a elasticidade
de cada risco em relação ao preço da ação.
Por fim, quantifica-se o value
at risk dos capitais empregados no negócio (financeiro, de
mercado, de infra-estrutura e humano).
2 Quantificação
do risco. A empresa descobre as interdependências
entre os fatores de risco e avalia o impacto de cada cenário na
organização como um todo. O grupo gerencial deve revisar isso
e chegar a um consenso sobre o que acredita ser o cenário mais
provável. A empresa calcula então a exposição geral a riscos ao
mesmo tempo que se cruza a razoabilidade dos dados com as avaliações
qualitativas feitas na fase de avaliação.
3 Mudança
organizacional. Agora começa a parte difícil. Dentro
do cenário que se determinou como mais provável, talvez seja preciso
projetar programas para mudar o comportamento. Em alguns casos,
pode-se atenuar os fatores de risco ao fazer mudanças operacionais
bem diretas. Em outros casos, é preciso desenvolver estratégias
para reformular o comportamento dos funcionários, as capacidades
da organização e a cultura.
4 Financiamento
do risco. Aqui, a empresa deve determinar
se os programas escolhidos atenuarão suficientemente os riscos
da companhia. Em caso negativo, é preciso projetar um programa
para financiar parte do risco - ou ignorá-lo. Como outros aspectos
do ERM, o financiamento de risco deve ser visto de forma holística.
Primeiro, a empresa determina a exposição (relativa ao limiar
de risco) após a aplicação dos programas de atenuação. Em seguida,
identifica as interdependências de exposição e os melhores instrumentos
de financiamento. Finalmente, define a melhor fonte desses instrumentos.
Uma vez que os gerentes tiverem desenvolvido e implantado
com sucesso a estratégia de conformação do risco, eles precisarão
realizar revisões periódicas dos fatores de risco da companhia
e sintonizar os programas de atenuação. Entretanto, é improvável
que seja preciso repetir as fases de Avaliação e Conformação de
Risco na totalidade.
À medida que os programas de atenuação começarem a funcionar,
a companhia será mais bem-sucedida ao lidar com riscos e autoconfiante.
Depois de um tempo, o gerenciamento de riscos se enraizará na
cultura da organização, com a conseqüente melhora de desempenho.
Nem todos os riscos podem ser contidos por completo.
Os que sobrarem precisam ser financiados. Para isso
há novos produtos no mercado, híbridos de seguro e hedging |
| Matriz de classificação de riscos de alta prioridade |
| |
Futuro conhecido |
Futuro desconhecido |
| Empresa mal-equipada |
Fatores de risco gerenciáveis |
Fatores de risco estratégicos |
| |
. Houve sorte antes?
. Aprender com o passado.
. Agregar capacitações |
. Aprender com os outros
. Capital e/ou estratégia novos
. Importar capacitações |
Empresa bem-equipada
|
Fatores de risco de "fazer negócio como sempre" |
Fatores de risco de adaptação |
| |
. A experiência é válida
. Resposta da gerência |
. A experiência pode não ajudar
. Resposta do sistema/da infra-estrutura |
Robert Schneier - é consultor
de estratégia da firma Towers Perrin em Dallas, Texas, EUA.
Jerry Miccolis é consultor de gerenciamento de riscos e
da área atuarial da Tillinghast-Towers Perrin em Parsippany,
Nova Jersey, EUA. |